terça-feira, 31 de outubro de 2017

QUANDO FALARES DE AMOR

E quando falares de amor,
por favor,
não me venhas com o pio da cotovia e tampouco o leve balançar dos galhos de amoreira no zérifo matinal.
De ti dispenso os protocolos em que comparas o castanho dos meus olhos a qualquer semente amadeirada, assim como falas do meu riso torto a um certo temor juvenil.
Não te demores!
São noites de horrores sem a tua presença.
E se pareço uma ópera com árias distintas,
deves bem saber que passo do allegro ao adágio,
como o sutil toque dos segundos de um relógio.
As palavras me escapam nas divagações incertas sobre nós.
Mas ao pensar plural, se corre o risco de intromissão naquilo que o outro realmente pensa.
Ah, tu me confundes!
Contudo, nesse abismo em queda livre, me basta contemplar a paisagem,
pois dizem os sonhadores, que do outro lado do medo
há uma vida de maravilhas.
Listen to "Quando Falares De Amor" on Spreaker.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

SOB ENCOMENDA

Quando assumiu a escrita como ofício, pensou que seria algo glamuroso, épico, um status parecido com celebridade. Talvez as referências ainda românticas sobre o que é a escrita, tenha desafiado o papel virtual em branco, as ideias e a encomenda.
Uma grande amiga, uma irmã de alma pediu um texto, um poema, uma série de palavras cúmplices para descrever o seu amor por seu novo companheiro. Mas o desafio lhe pareceu maior, quando tentou fazer a conexão daqueles sentimentos que acompanhou pouco a pouco, de toda ordem, tempo e lugar, mas que descrevia o amor dela e dele, ao contrário se fosse dela própria e dele próprio.
Então usou da observação e do seu amor pela amiga para dizer como a viu crescer. Que admirou a retomada de uma amizade que teve aqueles desencontros típicos, mas que estava num baú muito especial.
Naquele final de ano, daquela cena quando vimos um casal se beijando entre os fogos de artifício, aquela energia foi realmente mágica. Da cumplicidade que se fortaleceu em taças de vinho, passeios, madrugada a fio de conversas, risos, choro, ah as lágrimas, caíram fácil, muito mais dos seus olhos do que dos meus. Ainda choro, mas as lágrimas não me caem com tanta facilidade, porque você sabe as casquinhas, agora bem mais suaves do meu coração.
Porque sou uma ópera e você é um rock´n roll com samba e afro music, tudo misturado. Mas eu derivo, porque é impossível falar de você, da sua jornada dentro de linhas retas e margem definida.
Você esteve mais no pele a pele comigo, mas representa todas as minhas maravilhosas amigas da temporada. Você sabe de todos os meus segredos, todos!!! Eu apago os rastros de navegação, da comida do prato, mas deixei com você todo o meu sentimento revelado. Todas as náuseas e todos os segredos dos meus amores e dissabores.
Mas onde está o texto da encomenda? Deve estar me perguntando. Então eu respondo minha querida, isso tudo é para seu amor saber quem você é. E o quanto você se fez para chegar até ele. E eu estava lá no dia que se conheceram. Que dádiva!
Agora as lágrimas chegaram fáceis nos meus olhos, porque ver o amor de vocês assim ainda tão bebê me fez de novo acreditar nas infinitas possibilidades. Desculpe-me, mas sempre fui boa em fazer os outros chorarem, talvez tenha habilidade de terceirizar essa emoção. Sou drama, mas sou comedia, você sabe.
Vocês são meus afilhados, meus lindos, minha inspiração. Obrigada por me mostrar que o amor é fácil. Licença que a vista embaçou de um jeito mais lindo do mundo.

domingo, 17 de setembro de 2017

Ele sobre ela (porque ele não sabe escrever)

E nela eu via um mundo zen
mas com jeito punk
Porque era paz, era sol, era vida
e de repente se fazia séria, brava
e às vezes até cara de gente sofrida

Tinha um jeito criança
num corpo juvenil
sua maturidade me matava
de modo sutil, sutil

E me encantava com suas histórias
um tanto inverossímeis
lindas, bem construídas
como mísseis a atingir meu coração

E ela chegou lá
Eu deixei
Não tinha como não se envolver
Ela entra sem a gente perceber

Porque ela era uma punk
Com jeito inverossímil
De uma maturidade juvenil
Que me fazia envolver


De modo sutil
atingiu meu coração
Com espírito zen
de uma criança

Eu deixei suas histórias
Me bombardearem como mísseis
de gente com vida, paz e sol
e me envolver, me envolver



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

APESAR

Apesar
Da aparente apatia
existia um dia
que a gente ria
e não sabia
o motivo da
tal alegria

Apesar
das nossas distrações
um do outro
que nos afastou
pouco a pouco
ainda tínhamos
nossos corações

Apesar
de você ser frio
e eu ser quente
De querer o dia
e você a madrugada
e você tomar sol
e eu chuvarada
a gente não
achava que fazia
a coisa errada

Apesar
das conjunções astrais
dizerem que éramos fogo
água, terra e ar ao mesmo tempo
que nunca seríamos para sempre
foi bom, foi único
foi corpo
foi mente

sábado, 5 de agosto de 2017

POEMA QUÂNTICO

Não era físico
e vibrava como uma onda
tinha freqüência, mas
faltava ressonância

Metafísico
Orgânico
Nos olhos do gato
se conectavam

Mas tinha o medo
Um segredo
Processo de limpeza emocional
Nunca viu nada igual

Eu digo meu bem,
Não importa o resultado
A vida é amor
É machucado
Só não pode deixar
O sentimento estagnado

Então tudo que é metafísico
Se torna ressonante
E vibra na alta frequência
Lide com a tal da impermanência