E nela eu via um mundo zen
mas com jeito punk
Porque era paz, era sol, era vida
e de repente se fazia séria, brava
e às vezes até cara de gente sofrida
Tinha um jeito criança
num corpo juvenil
sua maturidade me matava
de modo sutil, sutil
E me encantava com suas histórias
um tanto inverossímeis
lindas, bem construídas
como mísseis a atingir meu coração
E ela chegou lá
Eu deixei
Não tinha como não se envolver
Ela entra sem a gente perceber
Porque ela era uma punk
Com jeito inverossímil
De uma maturidade juvenil
Que me fazia envolver
De modo sutil
atingiu meu coração
Com espírito zen
de uma criança
Eu deixei suas histórias
Me bombardearem como mísseis
de gente com vida, paz e sol
e me envolver, me envolver
Blog literário com podcasts produzido pela jornalista, escritora, poeta e podcaster Ronise Vilela
domingo, 17 de setembro de 2017
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
APESAR
Apesar
Da aparente apatia
existia um dia
que a gente ria
e não sabia
o motivo da
tal alegria
Apesar
das nossas distrações
um do outro
que nos afastou
pouco a pouco
ainda tínhamos
nossos corações
Apesar
de você ser frio
e eu ser quente
De querer o dia
e você a madrugada
e você tomar sol
e eu chuvarada
a gente não
achava que fazia
a coisa errada
Apesar
das conjunções astrais
dizerem que éramos fogo
água, terra e ar ao mesmo tempo
que nunca seríamos para sempre
foi bom, foi único
foi corpo
foi mente
Da aparente apatia
existia um dia
que a gente ria
e não sabia
o motivo da
tal alegria
Apesar
das nossas distrações
um do outro
que nos afastou
pouco a pouco
ainda tínhamos
nossos corações
Apesar
de você ser frio
e eu ser quente
De querer o dia
e você a madrugada
e você tomar sol
e eu chuvarada
a gente não
achava que fazia
a coisa errada
Apesar
das conjunções astrais
dizerem que éramos fogo
água, terra e ar ao mesmo tempo
que nunca seríamos para sempre
foi bom, foi único
foi corpo
foi mente
sábado, 5 de agosto de 2017
POEMA QUÂNTICO
Não era físico
e vibrava como uma onda
tinha freqüência, mas
faltava ressonância
Metafísico
Orgânico
Nos olhos do gato
se conectavam
Mas tinha o medo
Um segredo
Processo de limpeza emocional
Nunca viu nada igual
Eu digo meu bem,
Não importa o resultado
A vida é amor
É machucado
Só não pode deixar
O sentimento estagnado
Então tudo que é metafísico
Se torna ressonante
E vibra na alta frequência
Lide com a tal da impermanência
e vibrava como uma onda
tinha freqüência, mas
faltava ressonância
Metafísico
Orgânico
Nos olhos do gato
se conectavam
Mas tinha o medo
Um segredo
Processo de limpeza emocional
Nunca viu nada igual
Eu digo meu bem,
Não importa o resultado
A vida é amor
É machucado
Só não pode deixar
O sentimento estagnado
Então tudo que é metafísico
Se torna ressonante
E vibra na alta frequência
Lide com a tal da impermanência
quinta-feira, 4 de maio de 2017
FÓRMULA PARA TE ESQUECER
Dentro do pote estavam guardadas as memórias. Eram piadas bobas compartilhadas com um bom vinho ou até uma cerveja gourmet, olhos brilhantes, mensagens de texto em aplicativos diversos, brigas sem motivo aparente, estavam todas misturadas.
Num primeiro momento despejei tudo e tentei separar. Mas qual o sentido de separar tudo aquilo? Seria uma bela desculpa para pegar um restinho e guardar num novo pote. E se fizesse isso, a fórmula não traria o efeito desejado.
Depois de preparar o caldeirão e colocá-lo sobre fogo, precisava de uma música para o ritual. Tentei escolher algo que não remetesse a você e só me restou A CAVALGADA DAS VALQUÍRIAS DE WAGNER. Minto - isso era você puro!
Nas cápsulas estavam todos meus sentimentos represados: paixão, ilusão, desejo, sonhos, expectativas. Todas foram para a panela, depois joguei as indiretas, as entrelinhas, as insinuações. Salpiquei com novos olhares cúmplices.
Na horta, colhi os temperos das promessas, dos encontros, dos telefonemas e de uma vida a dois unilateral. Tudo ia se misturando e formando uma calda espessa, uma fumaça densa, enquanto a música chegava ao clímax.
A CAVALGADA DAS VALQUÍRIAS no repeat umas cinco vezes.
Para finalizar, teria que arrancar meu coração.
Tomei coragem.
Algumas lágrimas escorreram.
Respirei fundo.
Decidi não me anestesiar.
Finalmente o golpe e a surpresa: ele não estava lá!
Procurei por todos os lugares, desarrumei todas as gavetas e aí tive uma visão: você havia tomado ele prá si.
Mas determinada em seguir com a fórmula, substitui o ingrediente.
Agora é só esperar para ver se funciona.
Listen to "Fórmula para Te Esquecer" on Spreaker.
Num primeiro momento despejei tudo e tentei separar. Mas qual o sentido de separar tudo aquilo? Seria uma bela desculpa para pegar um restinho e guardar num novo pote. E se fizesse isso, a fórmula não traria o efeito desejado.
Depois de preparar o caldeirão e colocá-lo sobre fogo, precisava de uma música para o ritual. Tentei escolher algo que não remetesse a você e só me restou A CAVALGADA DAS VALQUÍRIAS DE WAGNER. Minto - isso era você puro!
Nas cápsulas estavam todos meus sentimentos represados: paixão, ilusão, desejo, sonhos, expectativas. Todas foram para a panela, depois joguei as indiretas, as entrelinhas, as insinuações. Salpiquei com novos olhares cúmplices.
Na horta, colhi os temperos das promessas, dos encontros, dos telefonemas e de uma vida a dois unilateral. Tudo ia se misturando e formando uma calda espessa, uma fumaça densa, enquanto a música chegava ao clímax.
A CAVALGADA DAS VALQUÍRIAS no repeat umas cinco vezes.
Para finalizar, teria que arrancar meu coração.
Tomei coragem.
Algumas lágrimas escorreram.
Respirei fundo.
Decidi não me anestesiar.
Finalmente o golpe e a surpresa: ele não estava lá!
Procurei por todos os lugares, desarrumei todas as gavetas e aí tive uma visão: você havia tomado ele prá si.
Mas determinada em seguir com a fórmula, substitui o ingrediente.
Agora é só esperar para ver se funciona.
Listen to "Fórmula para Te Esquecer" on Spreaker.
domingo, 26 de março de 2017
AQUELA CONVERSA INBOX
(barulho de notificação)
Ela olha, mas não liga.
Duas horas se passaram e então ela decide navegar. Está lá a notificação. Abre o perfil e não reconhece quem é a pessoa.
Exatamente no momento onde vai investigar a identidade, o bate-papo está ativado.
- Oi. Lembra de mim?
Não diz nada e tenta desesperadamente saber quem é.
- Oi, sou amigo, do fulano, primo do sicrano, daquele dia, daquela hora, daquele local e razão.
- Oi. Ela responde.
A memória não ajuda, nem com todas as dicas. Dezenas de amigos comuns.
As bolinhas de reticências que indicam que do outro lado da tela alguém está digitando não param. Ela fixa nas bolinhas saltitantes. Ora elas pausam, depois voltam a dançar e nada aparece na caixa de diálogo.
- Lembro sim. Tudo bem com você?
A memória vai refrescando, saindo de uma névoa de mais de uma década.
A seguir vem um textão. A pessoa conta a vida de um tempo longo sem comunicação ou notícia. Um pouco atônita com a enxurrada de informações, começa a se soltar e contar algo de si. Em meia hora já estavam íntimos ou quase isso.
Quando notaram, duas horas de conversa se passara. Pausa dada por ela. Tinha compromisso.
Lá à noite resolveu retomar o papo. Continuaram madrugada adentro. E assim no outro dia, em qualquer horário. Links de músicas, de fotos, de risos, piadas. Já eram cúmplices. Ou não. Conheciam as rotinas um do outro, o nome dos vizinhos e familiares. Do gosto musical e de quem pingava azeite de oliva sobre o arroz. Fizeram um trato maluco e se chamavam por nomes inventados.
Combinaram de se encontrar algumas vezes, mas sempre tinha um impedimento. Qual era mesmo? O medo da quebra da mágica da tela, às vezes um anjo protetor, noutras um demônio da exposição.
As semanas passaram num piscar de olhos. Parecia acontecer algo, uma dependência. Tudo, absolutamente tudo era compartilhado com pedido de opinião alheia. Teve até DR! E aí chegou o fatídico dia. Nenhuma notificação, nenhum rastro. Sem sinal.
Soube que numa das caixas de diálogo toda a conversa foi arquivada e na outra, deletada.

Ela olha, mas não liga.
Duas horas se passaram e então ela decide navegar. Está lá a notificação. Abre o perfil e não reconhece quem é a pessoa.
Exatamente no momento onde vai investigar a identidade, o bate-papo está ativado.
- Oi. Lembra de mim?
Não diz nada e tenta desesperadamente saber quem é.
- Oi, sou amigo, do fulano, primo do sicrano, daquele dia, daquela hora, daquele local e razão.
- Oi. Ela responde.
A memória não ajuda, nem com todas as dicas. Dezenas de amigos comuns.
As bolinhas de reticências que indicam que do outro lado da tela alguém está digitando não param. Ela fixa nas bolinhas saltitantes. Ora elas pausam, depois voltam a dançar e nada aparece na caixa de diálogo.
- Lembro sim. Tudo bem com você?
A memória vai refrescando, saindo de uma névoa de mais de uma década.
A seguir vem um textão. A pessoa conta a vida de um tempo longo sem comunicação ou notícia. Um pouco atônita com a enxurrada de informações, começa a se soltar e contar algo de si. Em meia hora já estavam íntimos ou quase isso.
Quando notaram, duas horas de conversa se passara. Pausa dada por ela. Tinha compromisso.
Lá à noite resolveu retomar o papo. Continuaram madrugada adentro. E assim no outro dia, em qualquer horário. Links de músicas, de fotos, de risos, piadas. Já eram cúmplices. Ou não. Conheciam as rotinas um do outro, o nome dos vizinhos e familiares. Do gosto musical e de quem pingava azeite de oliva sobre o arroz. Fizeram um trato maluco e se chamavam por nomes inventados.
Combinaram de se encontrar algumas vezes, mas sempre tinha um impedimento. Qual era mesmo? O medo da quebra da mágica da tela, às vezes um anjo protetor, noutras um demônio da exposição.
As semanas passaram num piscar de olhos. Parecia acontecer algo, uma dependência. Tudo, absolutamente tudo era compartilhado com pedido de opinião alheia. Teve até DR! E aí chegou o fatídico dia. Nenhuma notificação, nenhum rastro. Sem sinal.
Soube que numa das caixas de diálogo toda a conversa foi arquivada e na outra, deletada.

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