quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Como os corretores - podcast

Eu quis dizer amor
Em vez de dor
Desculpe, desculpe!
não era embora
mas sim, agora!
Leia-se quero,
Embora tenha saído desespero
Ah, corrija!
estou com saudades
ao contrário de vaidades
Esqueça a palavra medo,
segredo, medo
Medo já disse,
mas não disse que é admiração,
pulsar de peito, afago, carinho
tudo, absolutamente tudo do coração
Por favor, me perdoe
ando falando uma coisa
ao querer dizer outra,
como os corretores

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

AS (IN)VULNERÁVEIS - Ela nunca foi Lolypop – episódio 1

As (In) Vulneráveis é um projeto experimental dividido em séries, que em forma de crônicas literárias baseadas em meias verdades, conta a história de mulheres em sua multiplicidade de crenças, educação e identidade, sob uma perspectiva do feminino íntimo. Todos os relatos são autorizados pelas personagens da vida real, que podem ou não mostrar sua “fantasia” ou apenas sua descrição de vida, como forma de inspirar a todas as pessoas que vivem a vida com intensidade.

Como se trata de uma obra ficcional, toda licença poética não será castigada.

O nome (In) Vulneráveis teve influência a partir de uma palestra da pesquisadora norte-americana Brené Brown, que na sua apresentação na TED, uma série de conferências sobre assuntos diversos, falou sobre o poder da vulnerabilidade, aqui o link https://www.youtube.com/watch?v=8-JXOnFOXQk

Nessa primeira temporada, a crônica vai falar sobre Lola, uma espécie de alter ego da autora. A personagem se traveste de outra personagem de suas fantasias eróticas, mas que basicamente a levaram sobre suas descobertas de sua consciência corporal, na proximidade dos 50 anos, no encerramento da sua fertilidade e na sua dissociação maternal do sexo.

A crônica foi publicada no site na Ana Clara Garmendia. Confira AQUI.

Listen to "Ela Nunca Foi Lolypop" on Spreaker.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

AS DATAS

AS DATAS TALVEZ SÓ EXISTAM
PARA SABER QUE NÃO SERVEM PARA NADA
OU TALVEZ PARA APLACAR A NOSSA CONSCIÊNCIA
GERALMENTE ADORMECIDA NO DIA A DIA

AS DATAS EM NEGRITO NOS CALENDÁRIOS
SERVEM PARA CONFERIRMOS O SALDO BANCÁRIO
O LIMITE DO CARTÃO DE CRÉDITO
E O QUANTO AINDA SOMOS AMADOS NOS
SHOPPINGS E ALMOÇOS DE FAMÍLIA

AS DATAS SEMPRE FORAM IGNORADAS PELA MINHA FAMÍLIA
SALVO MAMÃE, QUE CONDUZIA O RITO
MUITO MAIS PARA NÃO SER ALVO DE JULGAMENTOS DESNECESSÁRIOS
E PARA OUTREM, DESFIAR OS GLOSSÁRIOS
DESSA INSIGNIFICÂNCIA QUE NOS DÁ APENAS
O PRAZER QUANDO É UM FERIADO

MAS ANTES DISSO É PRECISO ABASTECER O TANQUE
FAZER A RESERVA DO RESTAURANTE
E ADIAR MAIS UMA VEZ A LEITURA
DO NERUDA ENVELHECIDO NA ESTANTE

AS DATAS SÃO BICHOS MALDITOS
QUE COÇAM MEMÓRIAS EMPOEIRADAS
TRAZEM À TONA OS ABRAÇOS, OS BEIJOS
AS ESTRADAS

AS DATAS, AH ESSAS DATAS!
QUANDO TE CONHECI,
CONTIGO SORRI
E QUANDO ME DESPEDI
AINDA ESTÃO EM CÍRCULOS VICIOSOS
EM NÚMEROS GARRAFAIS
PARECE ESQUECER O QUE VIVI
SERÁ PARA SEMPRE OU
UM NUNCA MAIS