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quarta-feira, 22 de maio de 2019

*um poema qualquer de uma over loque

a cada dia eu caibo menos nessa roupa
não há costura que se ajuste
é muita etiqueta
é muito embuste
há um cós muito alto
um jogo de cintura baixo
não me alinho, não me alinho
mas a barra tá pesada
a alma plissada
e jogo a fita
a métrica
numa atitude meio tétrica
de passar o fio
na linha tênue
das agulhadas da vida

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Como os corretores - podcast

Eu quis dizer amor
Em vez de dor
Desculpe, desculpe!
não era embora
mas sim, agora!
Leia-se quero,
Embora tenha saído desespero
Ah, corrija!
estou com saudades
ao contrário de vaidades
Esqueça a palavra medo,
segredo, medo
Medo já disse,
mas não disse que é admiração,
pulsar de peito, afago, carinho
tudo, absolutamente tudo do coração
Por favor, me perdoe
ando falando uma coisa
ao querer dizer outra,
como os corretores

domingo, 17 de setembro de 2017

Ele sobre ela (porque ele não sabe escrever)

E nela eu via um mundo zen
mas com jeito punk
Porque era paz, era sol, era vida
e de repente se fazia séria, brava
e às vezes até cara de gente sofrida

Tinha um jeito criança
num corpo juvenil
sua maturidade me matava
de modo sutil, sutil

E me encantava com suas histórias
um tanto inverossímeis
lindas, bem construídas
como mísseis a atingir meu coração

E ela chegou lá
Eu deixei
Não tinha como não se envolver
Ela entra sem a gente perceber

Porque ela era uma punk
Com jeito inverossímil
De uma maturidade juvenil
Que me fazia envolver


De modo sutil
atingiu meu coração
Com espírito zen
de uma criança

Eu deixei suas histórias
Me bombardearem como mísseis
de gente com vida, paz e sol
e me envolver, me envolver