Aciona o play e ouça esse podcast literário com uma poesia deliciosa.
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Blog literário com podcasts produzido pela jornalista, escritora, poeta e podcaster Ronise Vilela
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domingo, 10 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
Como os corretores - podcast
Eu quis dizer amor
Em vez de dor
Desculpe, desculpe!
não era embora
mas sim, agora!
Leia-se quero,
Embora tenha saído desespero
Ah, corrija!
estou com saudades
ao contrário de vaidades
Esqueça a palavra medo,
segredo, medo
Medo já disse,
mas não disse que é admiração,
pulsar de peito, afago, carinho
tudo, absolutamente tudo do coração
Por favor, me perdoe
ando falando uma coisa
ao querer dizer outra,
como os corretores
Em vez de dor
Desculpe, desculpe!
não era embora
mas sim, agora!
Leia-se quero,
Embora tenha saído desespero
Ah, corrija!
estou com saudades
ao contrário de vaidades
Esqueça a palavra medo,
segredo, medo
Medo já disse,
mas não disse que é admiração,
pulsar de peito, afago, carinho
tudo, absolutamente tudo do coração
Por favor, me perdoe
ando falando uma coisa
ao querer dizer outra,
como os corretores
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
AS (IN)VULNERÁVEIS - Ela nunca foi Lolypop – episódio 1
As (In) Vulneráveis é um projeto experimental dividido em séries, que em forma de crônicas literárias baseadas em meias verdades, conta a história de mulheres em sua multiplicidade de crenças, educação e identidade, sob uma perspectiva do feminino íntimo. Todos os relatos são autorizados pelas personagens da vida real, que podem ou não mostrar sua “fantasia” ou apenas sua descrição de vida, como forma de inspirar a todas as pessoas que vivem a vida com intensidade.
Como se trata de uma obra ficcional, toda licença poética não será castigada.
O nome (In) Vulneráveis teve influência a partir de uma palestra da pesquisadora norte-americana Brené Brown, que na sua apresentação na TED, uma série de conferências sobre assuntos diversos, falou sobre o poder da vulnerabilidade, aqui o link https://www.youtube.com/watch?v=8-JXOnFOXQk
Nessa primeira temporada, a crônica vai falar sobre Lola, uma espécie de alter ego da autora. A personagem se traveste de outra personagem de suas fantasias eróticas, mas que basicamente a levaram sobre suas descobertas de sua consciência corporal, na proximidade dos 50 anos, no encerramento da sua fertilidade e na sua dissociação maternal do sexo.
A crônica foi publicada no site na Ana Clara Garmendia. Confira AQUI.
Listen to "Ela Nunca Foi Lolypop" on Spreaker.
Como se trata de uma obra ficcional, toda licença poética não será castigada.
O nome (In) Vulneráveis teve influência a partir de uma palestra da pesquisadora norte-americana Brené Brown, que na sua apresentação na TED, uma série de conferências sobre assuntos diversos, falou sobre o poder da vulnerabilidade, aqui o link https://www.youtube.com/watch?v=8-JXOnFOXQk
Nessa primeira temporada, a crônica vai falar sobre Lola, uma espécie de alter ego da autora. A personagem se traveste de outra personagem de suas fantasias eróticas, mas que basicamente a levaram sobre suas descobertas de sua consciência corporal, na proximidade dos 50 anos, no encerramento da sua fertilidade e na sua dissociação maternal do sexo.
A crônica foi publicada no site na Ana Clara Garmendia. Confira AQUI.
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sexta-feira, 12 de outubro de 2018
AS DATAS
AS DATAS TALVEZ SÓ EXISTAM
PARA SABER QUE NÃO SERVEM PARA NADA
OU TALVEZ PARA APLACAR A NOSSA CONSCIÊNCIA
GERALMENTE ADORMECIDA NO DIA A DIA
AS DATAS EM NEGRITO NOS CALENDÁRIOS
SERVEM PARA CONFERIRMOS O SALDO BANCÁRIO
O LIMITE DO CARTÃO DE CRÉDITO
E O QUANTO AINDA SOMOS AMADOS NOS
SHOPPINGS E ALMOÇOS DE FAMÍLIA
AS DATAS SEMPRE FORAM IGNORADAS PELA MINHA FAMÍLIA
SALVO MAMÃE, QUE CONDUZIA O RITO
MUITO MAIS PARA NÃO SER ALVO DE JULGAMENTOS DESNECESSÁRIOS
E PARA OUTREM, DESFIAR OS GLOSSÁRIOS
DESSA INSIGNIFICÂNCIA QUE NOS DÁ APENAS
O PRAZER QUANDO É UM FERIADO
MAS ANTES DISSO É PRECISO ABASTECER O TANQUE
FAZER A RESERVA DO RESTAURANTE
E ADIAR MAIS UMA VEZ A LEITURA
DO NERUDA ENVELHECIDO NA ESTANTE
AS DATAS SÃO BICHOS MALDITOS
QUE COÇAM MEMÓRIAS EMPOEIRADAS
TRAZEM À TONA OS ABRAÇOS, OS BEIJOS
AS ESTRADAS
AS DATAS, AH ESSAS DATAS!
QUANDO TE CONHECI,
CONTIGO SORRI
E QUANDO ME DESPEDI
AINDA ESTÃO EM CÍRCULOS VICIOSOS
EM NÚMEROS GARRAFAIS
PARECE ESQUECER O QUE VIVI
SERÁ PARA SEMPRE OU
UM NUNCA MAIS
PARA SABER QUE NÃO SERVEM PARA NADA
OU TALVEZ PARA APLACAR A NOSSA CONSCIÊNCIA
GERALMENTE ADORMECIDA NO DIA A DIA
AS DATAS EM NEGRITO NOS CALENDÁRIOS
SERVEM PARA CONFERIRMOS O SALDO BANCÁRIO
O LIMITE DO CARTÃO DE CRÉDITO
E O QUANTO AINDA SOMOS AMADOS NOS
SHOPPINGS E ALMOÇOS DE FAMÍLIA
AS DATAS SEMPRE FORAM IGNORADAS PELA MINHA FAMÍLIA
SALVO MAMÃE, QUE CONDUZIA O RITO
MUITO MAIS PARA NÃO SER ALVO DE JULGAMENTOS DESNECESSÁRIOS
E PARA OUTREM, DESFIAR OS GLOSSÁRIOS
DESSA INSIGNIFICÂNCIA QUE NOS DÁ APENAS
O PRAZER QUANDO É UM FERIADO
MAS ANTES DISSO É PRECISO ABASTECER O TANQUE
FAZER A RESERVA DO RESTAURANTE
E ADIAR MAIS UMA VEZ A LEITURA
DO NERUDA ENVELHECIDO NA ESTANTE
AS DATAS SÃO BICHOS MALDITOS
QUE COÇAM MEMÓRIAS EMPOEIRADAS
TRAZEM À TONA OS ABRAÇOS, OS BEIJOS
AS ESTRADAS
AS DATAS, AH ESSAS DATAS!
QUANDO TE CONHECI,
CONTIGO SORRI
E QUANDO ME DESPEDI
AINDA ESTÃO EM CÍRCULOS VICIOSOS
EM NÚMEROS GARRAFAIS
PARECE ESQUECER O QUE VIVI
SERÁ PARA SEMPRE OU
UM NUNCA MAIS
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
Meu Amor pela Biblioteca Pública do Paraná
Acompanhe o Podcast também no SoundCloud
Listen to "Meu Amor Pela Biblioteca Pública Do Paraná" on Spreaker.
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quarta-feira, 5 de setembro de 2018
PRODUZA UMA PÉROLA
SE QUISERES VIVER NA CONCHA
AO MENOS PRODUZA UMA PÉROLA
NÃO JUSTIFIQUES AUSÊNCIA
QUANDO QUERES DISTÂNCIA
QUIETUDE É OUTRA COISA
NÃO É RETIRADA BLASÈ
A FIM DE DEMONSTRAR FALSA ELEGÂNCIA
E SUSPEITA DIPLOMACIA
OS VERBOS FORAM FEITOS PARRA SEREM DITOS
OS ESCRITOS
O SILÊNCIO É UMA CAIXA DE PANDORA
QUE SE ABRE APENAS NO AGORA
NÃO ENTENDO, NÃO COMPREENDO
NA VERDADE NEM FAÇO QUESTÃO
DE AMORNIDADES
DE SEPULTAMENTOS
ONDE O CORPO JAZIDO É O CORAÇÃO
POR UM TRIZ
QUASE ME VI INFELIZ
MAS DESTA VEZ
NÃO ME CONTENTAREI COM TALVEZ
Listen to "Produza Uma Pérola #episodio4" on Spreaker.
AO MENOS PRODUZA UMA PÉROLA
NÃO JUSTIFIQUES AUSÊNCIA
QUANDO QUERES DISTÂNCIA
QUIETUDE É OUTRA COISA
NÃO É RETIRADA BLASÈ
A FIM DE DEMONSTRAR FALSA ELEGÂNCIA
E SUSPEITA DIPLOMACIA
OS VERBOS FORAM FEITOS PARRA SEREM DITOS
OS ESCRITOS
O SILÊNCIO É UMA CAIXA DE PANDORA
QUE SE ABRE APENAS NO AGORA
NÃO ENTENDO, NÃO COMPREENDO
NA VERDADE NEM FAÇO QUESTÃO
DE AMORNIDADES
DE SEPULTAMENTOS
ONDE O CORPO JAZIDO É O CORAÇÃO
POR UM TRIZ
QUASE ME VI INFELIZ
MAS DESTA VEZ
NÃO ME CONTENTAREI COM TALVEZ
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quarta-feira, 29 de agosto de 2018
QUER SABER, VIVA!
De Junior Gros blog Verbolândia
VIVER É NÃO TER CERTEZA DE NADA
APRENDER A ANDAR CORRENDO
SABER QUAL É O DESTINO
MAS NÃO CONHECER A ESTRADA
É TATEAR NO ESCURO
PROCURAR RESPOSTAS EM PRECES
E ACHÁ-LAS PiCHADAS NO MURO
ESPERAR POR UM AMOR QUALQUER
SEJA DE UM HOMEM, CACHORRO,
CRIANÇA, GATO OU MULHER
TALVEZ SEJA UM MOINHO
COMO DISSE O CARTOLA
UM FOLK NA RÁDIO DO CARRO
OU UM BLUES NA VITROLA
SE QUER RESPOSTAS, ESQUEÇA
A VIDA NÃO RESPONDE NADA
CRESCA E DESAPAREÇA
NÃO SE LEVE TÃO A SÉRIO
EXPERIMENTE TUDO QUE QUISER
GOZE O QUANTO PUDER
O AMANHÃ AINDA É UM MISTÉRIO
QUER SABER, TANTO FAZ
UMA HORA ISSO TUDO TERMINA
SE É POR FALTA DE ADEUS
DESCANSE EM PAZ!
Listen to "Entrevista junior Junior Gros - QUER SABER, VIVA!" on Spreaker.
VIVER É NÃO TER CERTEZA DE NADA
APRENDER A ANDAR CORRENDO
SABER QUAL É O DESTINO
MAS NÃO CONHECER A ESTRADA
É TATEAR NO ESCURO
PROCURAR RESPOSTAS EM PRECES
E ACHÁ-LAS PiCHADAS NO MURO
ESPERAR POR UM AMOR QUALQUER
SEJA DE UM HOMEM, CACHORRO,
CRIANÇA, GATO OU MULHER
TALVEZ SEJA UM MOINHO
COMO DISSE O CARTOLA
UM FOLK NA RÁDIO DO CARRO
OU UM BLUES NA VITROLA
SE QUER RESPOSTAS, ESQUEÇA
A VIDA NÃO RESPONDE NADA
CRESCA E DESAPAREÇA
NÃO SE LEVE TÃO A SÉRIO
EXPERIMENTE TUDO QUE QUISER
GOZE O QUANTO PUDER
O AMANHÃ AINDA É UM MISTÉRIO
QUER SABER, TANTO FAZ
UMA HORA ISSO TUDO TERMINA
SE É POR FALTA DE ADEUS
DESCANSE EM PAZ!
Listen to "Entrevista junior Junior Gros - QUER SABER, VIVA!" on Spreaker.
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
O NADA
Todo mundo se conforma
com as migalhas
mas se for para ter o mínimo
eu prefiro o nada
ninguém nos avisa
quando a água está fria
quando a piscina não dá mais pé
quando se pode,
num piscar de olhos
perder a fé
quem sabe um dia a gente acerta
porque não dá mais
para deixar a porta aberta
achar que não amar não faz mal
e num instante
virar estátua de sal
eu tentei
você tentou
todos tentaram
e a tentativa
chega no mesmo ponto!
qual é o drama?
o medo, as caras e bocas
os velhos jogos e segredos?
todo mundo se conforma com pouco
com um sinal de fumaça
uma piada sem graça
uma vida que do nada se desfaça
eu sei que passa
você sabe que passa
nós sabemos que passa
mas enquanto não passa
o que quer que se faça
parece desgraça
Listen to "O NADA" on Spreaker.
com as migalhas
mas se for para ter o mínimo
eu prefiro o nada
ninguém nos avisa
quando a água está fria
quando a piscina não dá mais pé
quando se pode,
num piscar de olhos
perder a fé
quem sabe um dia a gente acerta
porque não dá mais
para deixar a porta aberta
achar que não amar não faz mal
e num instante
virar estátua de sal
eu tentei
você tentou
todos tentaram
e a tentativa
chega no mesmo ponto!
qual é o drama?
o medo, as caras e bocas
os velhos jogos e segredos?
todo mundo se conforma com pouco
com um sinal de fumaça
uma piada sem graça
uma vida que do nada se desfaça
eu sei que passa
você sabe que passa
nós sabemos que passa
mas enquanto não passa
o que quer que se faça
parece desgraça
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quarta-feira, 15 de agosto de 2018
FANTASMAS
Não, não grites comigo!
Pareces um zumbido de hipertensos
Um insuportável grilo-falante
a me julgar
segundo a tua régua
De onde tirastes tantas leis
de onde vês curvas nas retas?
De onde extrais esses chicotes mentais
de onde vem tanta crueldade?
Eu já fui um louco solto pela cidade
amante de personalidade de segundo escalão
pretensa artista de plateias vazias
mãe, pai, filho e espirito não tão santo
O certo e errado são conceitos
baseados em preceitos
nem sempre compatíveis com o modo de vida universal
Reduza o volume da tua voz!
Não grites comigo!
Abaixe o dedo em riste, o olhar altivo e o sorriso sarcástico
Chega de arrogância, de jogos e provocações
E de quem eu falo?
Não sei, não sei,
mas, não grites comigo!
Listen to "FANTASMAS" on Spreaker.
Pareces um zumbido de hipertensos
Um insuportável grilo-falante
a me julgar
segundo a tua régua
De onde tirastes tantas leis
de onde vês curvas nas retas?
De onde extrais esses chicotes mentais
de onde vem tanta crueldade?
Eu já fui um louco solto pela cidade
amante de personalidade de segundo escalão
pretensa artista de plateias vazias
mãe, pai, filho e espirito não tão santo
O certo e errado são conceitos
baseados em preceitos
nem sempre compatíveis com o modo de vida universal
Reduza o volume da tua voz!
Não grites comigo!
Abaixe o dedo em riste, o olhar altivo e o sorriso sarcástico
Chega de arrogância, de jogos e provocações
E de quem eu falo?
Não sei, não sei,
mas, não grites comigo!
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terça-feira, 7 de agosto de 2018
UTOPIA Drugstore
Post original do Ronise Vilela de 28 de março de 2012
Sem receita na mão, a moça entra meio encabulada e pede para o farmacêutico:
- Tem remédio para coração partido?
O moço, alto e magro, coloca a mão sobre o queixo e responde:
- Na verdade, se for recente você pode usar um cicatrizante em gel e isolar a área com gaze.
- Mas a dor é profunda. Lamenta a mulher, agora com olhar de menina.
Sabendo que dores do coração geralmente são inflacionadas pelos doentes, o farmacêutico tenta vender uma série de outros produtos, parte de acordo nas entrelinhas com a Soberba´s Factory.
- Bem, quero te mostrar uma coisa, diz o farmacêutico com sorriso de vendedor de ilusões. No setor C temos um kit Amor Eterno. Olhe, é composto de gotas de sedução, sexo via oral e paixão injetável.
- É muito caro? - perguntou a mocinha meio interessada, meio desconfiada.
- Olha minha querida, quem quer se apaixonar paga o preço!
Mais tarde, entram pai e filho adolescente na Utopia Drugstore. Cada qual no seu lado, o farmacêutico, o mesmo, o alto e magro, de cabelos crespos escuros e nariz proeminente, faz uma abordagem conjunta.
- Em que posso serví-los?
O jovem se esquiva olhando para o teto, enquanto o pai pigarreia antes de pedir o medicamento.
- Ran! O senhor tem perdão, desculpas ou genérico disso?
- Hum... o senhor tem que ser específico. Perdão, a dosagem é mais alta, porém o efeito é melhor, embora o tratamento seja demorado. O senhor sabe, perdão passa pelo cérebro, coração, e pode dar reações intestinais, pois, como o senhor deve saber, esse processo de perdoar é uma merda, com o perdão da palavra. No caso de algo mais leve, sem muitas complicações pode se levar um vidrinho de desculpas, são só três gotas ao dia. O problema é que o uso contínuo provoca amnésia, e se é preciso tomar mais gotas de desculpas. Mas, temos ainda o genérico VALEU! Esse é efervescente, mas só dura o tempo em que fica no organismo e o ponto negativo é que vicia. A pessoa faz a burrada, toma o Valeu! e acha que está curada (riu).
O pai pediu perdão e foi alertado:
- Esqueci de explicar ao senhor, que para total eficácia do tratamento, todas as pessoas envolvidas devem fazer uso do medicamento!
-Dá um prá mim também, disse o garoto com ar blasè.
Papai pagou com cartão de débito e os dois nunca usaram o produto.
E se eu entrasse nessa drogaria pediria um pouco de Paz.
-Moça, aqui não vendemos produtos homeopáticos, ouviria do farmacêutico alto, magro, de cabelos crespos e escuros, nariz prominente e mãos irritantemente asseadas.
Listen to "UTOPIA Drugstore" on Spreaker.
Sem receita na mão, a moça entra meio encabulada e pede para o farmacêutico:
- Tem remédio para coração partido?
O moço, alto e magro, coloca a mão sobre o queixo e responde:
- Na verdade, se for recente você pode usar um cicatrizante em gel e isolar a área com gaze.
- Mas a dor é profunda. Lamenta a mulher, agora com olhar de menina.
Sabendo que dores do coração geralmente são inflacionadas pelos doentes, o farmacêutico tenta vender uma série de outros produtos, parte de acordo nas entrelinhas com a Soberba´s Factory.
- Bem, quero te mostrar uma coisa, diz o farmacêutico com sorriso de vendedor de ilusões. No setor C temos um kit Amor Eterno. Olhe, é composto de gotas de sedução, sexo via oral e paixão injetável.
- É muito caro? - perguntou a mocinha meio interessada, meio desconfiada.
- Olha minha querida, quem quer se apaixonar paga o preço!
Mais tarde, entram pai e filho adolescente na Utopia Drugstore. Cada qual no seu lado, o farmacêutico, o mesmo, o alto e magro, de cabelos crespos escuros e nariz proeminente, faz uma abordagem conjunta.
- Em que posso serví-los?
O jovem se esquiva olhando para o teto, enquanto o pai pigarreia antes de pedir o medicamento.
- Ran! O senhor tem perdão, desculpas ou genérico disso?
- Hum... o senhor tem que ser específico. Perdão, a dosagem é mais alta, porém o efeito é melhor, embora o tratamento seja demorado. O senhor sabe, perdão passa pelo cérebro, coração, e pode dar reações intestinais, pois, como o senhor deve saber, esse processo de perdoar é uma merda, com o perdão da palavra. No caso de algo mais leve, sem muitas complicações pode se levar um vidrinho de desculpas, são só três gotas ao dia. O problema é que o uso contínuo provoca amnésia, e se é preciso tomar mais gotas de desculpas. Mas, temos ainda o genérico VALEU! Esse é efervescente, mas só dura o tempo em que fica no organismo e o ponto negativo é que vicia. A pessoa faz a burrada, toma o Valeu! e acha que está curada (riu).
O pai pediu perdão e foi alertado:
- Esqueci de explicar ao senhor, que para total eficácia do tratamento, todas as pessoas envolvidas devem fazer uso do medicamento!
-Dá um prá mim também, disse o garoto com ar blasè.
Papai pagou com cartão de débito e os dois nunca usaram o produto.
E se eu entrasse nessa drogaria pediria um pouco de Paz.
-Moça, aqui não vendemos produtos homeopáticos, ouviria do farmacêutico alto, magro, de cabelos crespos e escuros, nariz prominente e mãos irritantemente asseadas.
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quarta-feira, 1 de agosto de 2018
Conversa com meu novo velho amigo
Podcast sobre uma nova amizade com jeito de há muito tempo.
Nos comentários, link para ouvir no SoundCloud
Listen to "Conversa com meu novo velho amigo" on Spreaker.
Nos comentários, link para ouvir no SoundCloud
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quarta-feira, 20 de junho de 2018
NÓS USAMOS BATOM #EPISÓDIO 4
Naquela manhã ela estava tão confusa quanto o tempo. Arrumava a bolsa, respondia mensagens e da janela se via uma garoa fina e uma ameaça de raios solares. Ela calçou as botas de canos longos, acariciou a cachorra e esqueceu a sombrinha.
Voltou para dar um telefonema e ao se olhar no espelho, viu que tinha esquecido de passar batom. O batom era um item indispensável na sua vida e dizia mentalmente: “amigas, sempre tenham em mãos batom, filtro solar e se puder, lenços umedecidos – a passagem dos anos vai confirmar”.
O batom era tão imprescindível, que monitorava filha e amigas “passou batom?” – era quase um amigo confidente, pois ao mexer seus lábios, o batom acompanhava suas palavras. Gostava da sua boca, mas sabe que já tivera um formato mais atraente antes de ser reconstruída por acidente de percurso.
Escolheu um batom cor de carne. Ficara bem em seus lábios, tinha uma maciez e aderência boas, mas estava levemente quebrado. Olhou-se novamente no espelho, aprovou sua imagem refletida e colocou o batom numa pequena bolsinha de desenhos japoneses, que foi jogada na bolsa maior.
Fez todo o ritual de partida, mas desta vez bem mais apressada. Oi para o porteiro, para vizinha, para outra vizinha, para o senhorzinho que queria puxar conversa e ela falando sobre o tempo já com passos largos. Estava risonha e disse para si mesma “hoje estou aberta a novas possibilidades”.
Iria pegar um ônibus de uma linha que nunca trafegou. Pouco antes de chegar no ponto, encontrou uma mulher que pode ter sua idade, mas os vincos da vida de sem-teto provavelmente apuraram as marcas. Eram conhecidas. Prontamente ela a cumprimentou e recebeu os cumprimentos da moradora de rua, que tinha sua vida guardada em um carrinho de supermercado. Com uma vassoura na mão, repousou a magreza do corpo e se aligeirou em perguntar: “você tem um pedacinho de batom para me dar?”.
Pensou em como daria um pedaço de batom e não se furtou em imediatamente enfiar as mãos na bolsa, na bolsinha e retirar o batom cor de carne. “É seu”. O brilho e contentamento da “amiga de rua” foram a recompensa do dia. “Ah, obrigada, está muito frio e gosto de passar um batonzinho para proteger”, explicou.
Ela riu e sabia que no fundo mesmo, o batom era um código de conduta. Uma postura, uma filosofia de vida. E saiu feliz para seu destino por salvar mais lábios incolores.
Listen to "Nós Usamos Batom #episodio4" on Spreaker.
Voltou para dar um telefonema e ao se olhar no espelho, viu que tinha esquecido de passar batom. O batom era um item indispensável na sua vida e dizia mentalmente: “amigas, sempre tenham em mãos batom, filtro solar e se puder, lenços umedecidos – a passagem dos anos vai confirmar”.
O batom era tão imprescindível, que monitorava filha e amigas “passou batom?” – era quase um amigo confidente, pois ao mexer seus lábios, o batom acompanhava suas palavras. Gostava da sua boca, mas sabe que já tivera um formato mais atraente antes de ser reconstruída por acidente de percurso.
Escolheu um batom cor de carne. Ficara bem em seus lábios, tinha uma maciez e aderência boas, mas estava levemente quebrado. Olhou-se novamente no espelho, aprovou sua imagem refletida e colocou o batom numa pequena bolsinha de desenhos japoneses, que foi jogada na bolsa maior.
Fez todo o ritual de partida, mas desta vez bem mais apressada. Oi para o porteiro, para vizinha, para outra vizinha, para o senhorzinho que queria puxar conversa e ela falando sobre o tempo já com passos largos. Estava risonha e disse para si mesma “hoje estou aberta a novas possibilidades”.
Iria pegar um ônibus de uma linha que nunca trafegou. Pouco antes de chegar no ponto, encontrou uma mulher que pode ter sua idade, mas os vincos da vida de sem-teto provavelmente apuraram as marcas. Eram conhecidas. Prontamente ela a cumprimentou e recebeu os cumprimentos da moradora de rua, que tinha sua vida guardada em um carrinho de supermercado. Com uma vassoura na mão, repousou a magreza do corpo e se aligeirou em perguntar: “você tem um pedacinho de batom para me dar?”.
Pensou em como daria um pedaço de batom e não se furtou em imediatamente enfiar as mãos na bolsa, na bolsinha e retirar o batom cor de carne. “É seu”. O brilho e contentamento da “amiga de rua” foram a recompensa do dia. “Ah, obrigada, está muito frio e gosto de passar um batonzinho para proteger”, explicou.
Ela riu e sabia que no fundo mesmo, o batom era um código de conduta. Uma postura, uma filosofia de vida. E saiu feliz para seu destino por salvar mais lábios incolores.
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quarta-feira, 30 de maio de 2018
TUTORIAL NÃO CUSTA
NÃO CUSTA, CURTIR A PÁGINA QUE UM AMIGO INDICOU
NÃO CUSTA, PORQUE VOCÊ PODE ESTAR AJUDANDO O TRABALHO DE ALGUÉM,
SIMPLES ASSIM
NÃO CUSTA, MESMO QUE DEMORE, RESPONDER UMA MENSAGEM
NEM QUE SEJA NUM SORRISO BOBO DE UM ÍCONE AUTOMATIZADO
NÃO CUSTA, SILENCIAR AS NOTIFICAÇÕES EM PERÍODO SABÁTICO
E SE NÃO ENTENDEREM, NÃO CUSTA EXPLICAR
MAS SÓ EXPLIQUE, NÃO JUSTIFIQUE
NÃO CUSTA, PEDIR PERDÃO SE O CORAÇÃO PEDE
SE PERDOAREM OU NÃO, O CUSTO NÃO É SEU
NÃO CUSTA, DIRIMIR A DÚVIDA
NEGOCIAR A DÍVIDA
E MANTER IMPÁVIDA A ALMA
A VIDA, MESMO QUE AINDA POSSA ESTAR INDELEVELMENTE FERIDA.
Listen to "Tutorial Não Custa" on Spreaker.
NÃO CUSTA, PORQUE VOCÊ PODE ESTAR AJUDANDO O TRABALHO DE ALGUÉM,
SIMPLES ASSIM
NÃO CUSTA, MESMO QUE DEMORE, RESPONDER UMA MENSAGEM
NEM QUE SEJA NUM SORRISO BOBO DE UM ÍCONE AUTOMATIZADO
NÃO CUSTA, SILENCIAR AS NOTIFICAÇÕES EM PERÍODO SABÁTICO
E SE NÃO ENTENDEREM, NÃO CUSTA EXPLICAR
MAS SÓ EXPLIQUE, NÃO JUSTIFIQUE
NÃO CUSTA, PEDIR PERDÃO SE O CORAÇÃO PEDE
SE PERDOAREM OU NÃO, O CUSTO NÃO É SEU
NÃO CUSTA, DIRIMIR A DÚVIDA
NEGOCIAR A DÍVIDA
E MANTER IMPÁVIDA A ALMA
A VIDA, MESMO QUE AINDA POSSA ESTAR INDELEVELMENTE FERIDA.
Listen to "Tutorial Não Custa" on Spreaker.
sexta-feira, 10 de março de 2017
A CARTA QUE NUNCA FOI ENTREGUE
Há uma carta que foi escrita com tudo aquilo que um coração apaixonado poderia sentir. Uma carta que teve muita dor e sofrimento, porque se sabia ou se supunha que o destinatário levaria um tremendo susto e ficaria sem nada entender.
Uma carta de três páginas, em folhas de papel de um caderno universitário. O volume teve que ser cuidadosamente ajeitado no envelope branco. Na verdade teve que ser trocado por um super envelope, tinha uma fita K7 que acompanhava em áudio o conteúdo.
Isso porque a remetente tinha uma veia um tanto dramática e queria que, quando fosse lida, o destinatário entendesse o tom em que aquelas palavras foram escritas.
Aquelas três páginas com dezenas de parágrafos, foram escritas sobre a cama da pessoa apaixonada. Cada frase reveladora de seu amor era banhada por alguma lágrima mais rápida que seus dedos, que tentavam bloquear o líquido a cair no papel.
Foram construções de verbos com palpitações, crises de riso e choro, que só um ser histérico de amor pode fazer. O primeiro passo tinha acontecido. E isso foi uma vitória.
Agora era tomar coragem e entregar a carta para a pessoa amada. Essa que estava sempre ao seu alcance, mas devidamente limitada pela amizade. Aliás, grande amizade, o grande precipício de toda a relação.
Dentro da bolsa, o grande envelope. A autora não havia pensando numa estratégia. Foi surpreendida por um convite do ser amado; esse, afoito para lhe contar uma novidade. Como era de costume, havia carinho entre ambos, se gostavam sim. Eram amigos e cúmplices das conversas mais improváveis e saborosas do mundo.
Muito apressado, o amigo entrou num bar com ela, puxou a cadeira para que sentasse antes dele e logo pediu uma bebida. Estava eufórico, coisa não muito comum. Disse que tinha algo muito importante para lhe dizer.
Aqueles segundos foram os mais tensos e sonhadores daquela alma apaixonada. O pensamento dela entrou no túnel invariável da ilusão. Compôs até uma cena. “Meu Deus, ele vai dizer que me ama! Isso vai facilitar tudo. Nosso destino nos une...” e uma série de blá, blá, blás mentais.
Entre um gole e outro, ele pegou as mãos dela e se olharam fixamente. O coração dela disparou. E então ele disse que estava junto finalmente com a mulher que amava. Uma terceira pessoa.
O céu escureceu, os pássaros se calaram, a visão ficou turva.
Ela sorriu e comemorou a alegria dele, como toda boa amiga. Brindaram. Sorriram. E mais uma carta de amor se perdeu no tempo, no espaço, sem nunca sequer ser entregue.
Listen to "A Carta Que Nunca Foi Entregue" on Spreaker.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
PSIU! VOCÊ ESTÁ VIVO
Com licença! Ei moça, ei moço, você pode olhar para mim enquanto eu falo?
Eles olharam por cima da pequena tela e como não falei por três segundos, continuaram suas vidas de pupilas dilatadas e dedos frenéticos nessa extensão do corpo que cabe na palma da mão.
Oras, não vou ser hipócrita, também gosto desse mundo conectado e hiperativo, sustentado por plataformas e aplicativos, que me levam do Ahú de Baixo a Paris literalmente num piscar de olhos.
Eu queria dizer para eles que no nosso bairro o carro do sonho acabou de passar, que os cães e gatos deram uma trégua nessa guerrinha criada por nós, homens, que a amoreira da esquina foi cortada, que o quilo da banana estava em oferta no mercadinho, mas a moça, o moço estão em outros links, quando poderiam estar nuns drinks, convenhamos.
E então me debato no limite entre ser nascida no século XX e viver (ainda) a ascendência da curva no século XXI e me beliscar mentalmente o tempo todo para saber que estou viva. Ah! as instituições sabem que estou viva, eu existo para a Receita. Sou um número longo. Existo em URLs, em busca do Google, ah, eu existo, uma crise a menos.
Eu, você e a Candinha da esquina somos notificações. Visualizações, somos likes e emojis. Olha só, e eu achando que não era nada!!!!
Mas eu entro no carro e começo a cantar sozinha e recitar meus mantras. Porque eu preciso sentir que faço isso sem condutores físicos, porque sou de carne, osso, sangue e colesterol baixo. Não quero enfrentar nem debater que as peles não se tocam com freqüência, pois basta ser um pim notificável, que você se faz presente. Fique contente com isso.
Eu só queria dizer “psiu! você está vivo”. E quem sabe tomar um cafezinho.

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Eles olharam por cima da pequena tela e como não falei por três segundos, continuaram suas vidas de pupilas dilatadas e dedos frenéticos nessa extensão do corpo que cabe na palma da mão.
Oras, não vou ser hipócrita, também gosto desse mundo conectado e hiperativo, sustentado por plataformas e aplicativos, que me levam do Ahú de Baixo a Paris literalmente num piscar de olhos.
Eu queria dizer para eles que no nosso bairro o carro do sonho acabou de passar, que os cães e gatos deram uma trégua nessa guerrinha criada por nós, homens, que a amoreira da esquina foi cortada, que o quilo da banana estava em oferta no mercadinho, mas a moça, o moço estão em outros links, quando poderiam estar nuns drinks, convenhamos.
E então me debato no limite entre ser nascida no século XX e viver (ainda) a ascendência da curva no século XXI e me beliscar mentalmente o tempo todo para saber que estou viva. Ah! as instituições sabem que estou viva, eu existo para a Receita. Sou um número longo. Existo em URLs, em busca do Google, ah, eu existo, uma crise a menos.
Eu, você e a Candinha da esquina somos notificações. Visualizações, somos likes e emojis. Olha só, e eu achando que não era nada!!!!
Mas eu entro no carro e começo a cantar sozinha e recitar meus mantras. Porque eu preciso sentir que faço isso sem condutores físicos, porque sou de carne, osso, sangue e colesterol baixo. Não quero enfrentar nem debater que as peles não se tocam com freqüência, pois basta ser um pim notificável, que você se faz presente. Fique contente com isso.
Eu só queria dizer “psiu! você está vivo”. E quem sabe tomar um cafezinho.

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